No final de todo drama pessoal envolvendo o assunto, o aborto é um triste resultado para a escolha equivocada que mulheres – e homens – podem fazer, independente das permissões e concessões da lei. Afinal, a lei dos homens não garante a concordância das leis da natureza, isto é, da Lei de Deus.
Nos últimos meses, assistimos o debate sobre o aborto se intensificar em vários países, inclusive no Brasil. Assistimos também os legisladores – em sua maioria, homens – alterarem as leis para que o aborto pudesse ser praticado livremente. A mulher ganha, enfim, o que ela tanto reclama em seus discursos feministas: a escolha. Novamente, tanto faz o que pensamos nós, se Deus pensa diferente.
Um estudo sobre o aborto mostra que 1% das intervenções ocorrem devido a estupro ou incesto. Outros 6% ocorrem por questões de saúde, da mãe ou do filho, reais ou potenciais – que podem vir a aparecer. O resto – 93% – são questões sociais: crianças indesejadas, situação social “inconveniente”, condições financeiras, a “perda da liberdade”, etc. Por essas razões, mulheres e casais querem ter escolha.
Esse é, efetivamente, o argumento mais utilizado para justificar o aborto, sem que nenhum outro fator seja considerado senão o direito da mulher que se livra de um problema. Na verdade, de acordo com as observações de quem conviveu com mulheres que abortaram, muitas vezes o aborto é a escolha de quem não tem mais nenhuma escolha, pressionadas pela falta de apoio, pelas conveniências sociais e pela irreflexão.
Por que razão, porém, se observa tanto esforço para permitir – acompanhado de um injustificável incentivo – o ato repugnante do aborto? Por que não se concentram os esforços – e o dinheiro – na informação e na popularização de métodos para evitar a gravidez?
Ao ler essa teoria, o leitor pode concluir que isso é ficção, porque é o que realmente parece. A origem da pressão política para que governos de países pobres permitam e incentivem o aborto está na ameaça que alguns países ricos vêem no crescimento populacional. Essa paranóia tem atingido outras nações, provocando guerras e conflitos sociais, tudo devido a uma imposição ideológica de quem detem o poder econômico.
Nesse sentido, a questão do aborto não é um problema religioso, nem filosófico ou médico. E enquanto bilhões de dólares são encaminhados, somente pelos Estados Unidos, para ajudar grupos pró-aborto a incentivar e defender o infanticídio, os grupos pró-vida, entre eles os cristãos – e entre eles nós, os espíritas – não parecem encontrar argumentos favoráveis para que não houvesse nem espaço para se pensar no assunto. Talvez, pensando nas mulheres que não têm nenhuma escolha, estejamos falhando no apoio que se deve oferecer a essas mulheres.
A informação espírita, especialmente a narração feita por André Luiz no livro “No Mundo Maior”, revela que a reencarnação é oportunidade bendita, que é aguardada com muita ansiedade pelo espírito que se prepara para viver, lutar, sofrer e crescer. Negar essa oportunidade a ele, principalmente depois de haver concordado em recebê-lo, é causa de muita mágoa e sofrimento. André Luiz mostra aos leitores as consequências nocivas que a ex-mãe provoca em seu próprio organismo, ao romper com a promessa mais importante que houvera feito, ao cometer um erro muito grave, que será cobrado dela no futuro.
Distantes da informação espírita, apoiadas, para evitar o peso do arrependimento, em critérios científicos ou biológicos subjetivos, milhares de mulheres pelo mundo afora seguirão sem possibilidade de escolha, sem apoio ou coragem, e poderão ser seduzidas pela falácia do aborto. Nem todas estão suficientemente informadas sobre os resultados físicos e psicológicos do aborto, o que nunca é destacado pelos defensores da idéia. Entre os efeitos físicos, estão as hemorragias, complicações na gravidez, coágulos na mama e, é claro, a morte. Entre os efeitos psicológicos, estão o trauma, a depressão, a disfunção sexual, consumo de drogas e repetição de abortos.
Para a mulher espírita e cristã, e para o homem que estiver junto a ela, nada disso importa, porque simplesmente nunca abortarão. Estão conscientes de que a vida é um dom precioso que não temos direito de dispor, por não ser nossa a capacidade de criá-la. A submissão à vida é a atitude de quem sente e vive o respeito pela misteriosa faculdade de viver.
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