Uma vez, recebi um convite para falar sobre o trabalho voluntário na Casa Espírita. Inicialmente, neguei mentalmente, mas depois pensei em aceitar, ainda mais quando um amigo me disse: "Se não vens para somar é melhor procurar outro lugar".
Por ter formação em Engenharia e ter exercido recentemente o comando do serviço de manutenção em um grande hospital de nossa cidade e também por entender que uma Casa Espírita nada mais é do que um grande hospital onde funcionam diversas clínicas para atendimentos espirituais - desde o Pronto Socorro, passando pelos Ambulatórios de várias especialidades, até às salas de Grandes Cirurgias - ficou fácil seguir a orientação deste meu amigo. A genialidade humana, assessorada pelo plano Cósmico, foi muito feliz ao definir como símbolo da Engenharia, uma simples e única "roda dentada". Imaginem um grande equipamento do tamanho de uma Casa Espírita possuindo dentre outras partes, uma pequena engrenagem que precisa de lubrificação e que o "Fulano" é a pessoa que tem como obrigação colocar 1 vez por semana, três gotas de óleo lubrificante (tarefa esta, simples e sem grandes comprometimentos) nesta engrenagem e um belo dia, por qualquer motivo, o "Fulano" que não estava disposto ou se sentindo cansado por achar que estava trabalhando muito, não foi fazer a sua manutenção (compromisso assumido). Na outra semana, não cumpriu de novo com a sua tarefa, pois estava sol e ele também tinha o direito de aproveitar uma boa praia, "espairecer a mente". Pronto, derrepente a máquina, por falta desta manutenção, pára e interrompe uma série de procedimentos neste grande hospital.
A Espiritualidade necessita de nossa ajuda para que possam ser executados uma série de procedimentos na senda do Bem, além de termos assumido compromissos com estes nossos amigos, na prática da caridade. Quando deixamos de cumprir nossa tarefa como obreiros de Jesus, não só violamos sérias leis imutáveis, como também deixamos de cumprir o que gentilmente acordamos com o Alto, além de prejudicarmos aquele que humildemente nos procura. Se realmente nos preocupamos em estudar e o fazemos, podemos compreender plenamente neste caso, o tamanho de nossas faltas e o comprometimento com a Espiritualidade.
É muito fácil encontrar quem queira sentar-se à mesa diretora, numa reunião pública com palestra, mas é difícil achar quem se proponha a ficar no portão de entrada, recebendo os que chegam, tarefa esta desempenhada geralmente pelos "menores", quando na realidade, devido à importância do posto, deveria ser ocupado pelo mais experiente ou o de maior importância na Casa Espírita, pois quando abrimos as nossas portas
para receber, sempre oferecemos o que há de melhor para quem chega. Quantos vêm a uma Casa Espírita cheios de problemas, com baixa estima, desiludidos ou revoltados e, um simples sorriso, só um simples sorriso adicionado de um cumprimento, é tudo o que precisam para ligar a sua máquina de renovação. Os "funcionários" de uma equipe de manutenção têm que trabalhar em conjunto, pois esta é uma atividade que não existe isoladamente, ela existe em sinergia com uma série de procedimentos, visando sempre a finalidade do serviço. E para que isso seja viável, é de suma importância a interação entre "todos" os setores, desde a Direção que tem a função de administrar a Casa, até o setor da limpeza, para que os que chegam, sintam-se bem com um local asseado (física e espiritualmente).
É fato que nem sempre concordamos com o nosso parceiro, mas aquele seixo rolado tão bonitinho que pegamos nas águas calmas do rio, já foi uma pedra grande, disforme e cheia de pontas lá no início da cachoeira. Somente com o atrito é que conseguimos transformar aquela pedra bruta em diamante polido, belo e valoroso. Com certeza, o seu colega do lado já lhe causou desagravo por algum motivo; às vezes, ele nem se deu conta disso, mas se estamos "ombreando" no caminho de Jesus, certamente não estamos em um grande clube, conversando amenidades na beira de uma bela piscina ou sob uma frondosa árvore em uma tarde de primavera. Estamos sim tentando vencer as nossas debilidades e submetendo a nossa vontade. Se o seu parceiro sempre concorda consigo, tenha a certeza que este não é sincero, pois as necessidades não são as mesmas, mas se escolhemos este caminho, temos que aprender como trilhá-lo, tentar compreendê-lo, pois sabemos que mediunidade não é dote e sim serviço.
Se a Casa determina normas é porque o homem não sabe viver sem comando; se este comando existe, alguém avalizou e em uma Casa Espírita, os nossos Responsáveis Espirituais também são no mínimo seculares e aqui, os "funcionários" deste departamento de manutenção têm a obrigação de cumprir as determinações que foram avalizadas pelos Mentores da Casa. Primeiro temos a obrigação, como trabalhadores de uma Casa Espírita, de acatar as determinações, depois então de emitir a nossa opinião, pois que na maioria das vezes desconhecemos as razões e com certeza se soubéssemos, entenderíamos. Somos trabalhadores de uma Casa Espírita por vontade própria e nos mantemos como tal, pela mesma vontade, mas não estamos aqui para alimentar o nosso ego e sim para prestar um serviço de amor e caridade para com aqueles que realmente são os donos da Casa, que são os inúmeros idosos carentes que vêm apanhar as suas provisões mensais e brigam para pegar mais um sapato ou uma roupa além de sua cota; são outros que chegam, na maioria das vezes, exalando o odor de
aguardente e muitas das vezes com certa agressividade; são aqueles que chegam totalmente tomados por diversos espíritos violentos que ousamos temer, intitulando-os de obsessores, quando na realidade são espíritos sofredores que tentando fazer a reparação do mal sofrido por aquele carrasco que ora chamamos de obsidiado, chegam à Casa pedindo ajuda, apenas se expressando de forma diferente.
Amigos, estamos todos hoje tentando ser um trabalhador a mais na Casa Espírita, a serviço destes que aqui nos visitam de diversas formas para pedir ajuda, para nos testar ou para formar a nossa têmpera como trabalhador na Seara do Mestre. Mas para que possamos ter sucesso nesta nossa dura empreitada, neste caminho que, embora tenhamos escolhido o rumo, não imaginávamos que haveria tantos obstáculos e que seria tão penoso caminhar, é de suma importância que tenhamos um compromisso conosco, com a causa espírita e com a Casa que nos acolheu, que nos dá esta bela chance de vencer. Não caiamos na ilusão que a Casa "A ou B" é melhor por isso ou por aquilo, pois cada uma tem um serviço importante para aqueles que nela transitam e não existe Casa melhor nem pior, o que talvez possa haver e acreditamos ser um processo normal, é você completar o seu ciclo em um determinado tipo de serviço e iniciar um outro, da mesma forma que os espíritos gravitam entre as religiões ou entre planos espirituais.
Para encerrar, gostaria de fazer um convite a todos que, à noite, se retirem em seus quartos, fechem a porta e após uma prece fervorosa ao Mestre, se perguntem o que você tem feito de coração em prol de "sua" Casa Espírita e após a resposta, se perguntem qual o seu verdadeiro compromisso com esta Casa de Jesus.
Que a Paz, a Harmonia e a Concórdia, seja a tríplice argamassa que fortifique a nossa obra.
Orai e Vigiai.
(Artigo retirado da revista oficial da doutrina espírita "O Reformador" 2002)
3 comentários:
Exepcional!
pra ser re-lido com frequência.
Saudações
Adorei, temos muito a aprender na vida, não somos nada, o caminho, às vezes é duro, mas temos que enfrentar!!!
Att,
Ana
LINDA MENSAGEM. ESTOU COLOCANDO MEUS SERVIÇOS DE ADVOGADO A DISPOSIÇÃO DA SESS E DE SUA ASSISTÊNCIA, GRATUITAMENTE. ALÉM DE AJUDAR NA PARTE ESPIRITUAL GOSTARIA TAMBÉM DE AJUDAR MATERIALMENTE COM AQUELES QUE TANTO NECESSITAM DE NOSSA AJUDA
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